Círculo de Leituras: Teerã, Ramalá e Doha. Memórias da Política Externa Ativa e Altiva - Operação diplomática e atores envolvidos EGC - Cursos Inscrições Abertas

Organizador/Docente:

  • Professora Eunice Prudente,
  • Professor Gustavo Monaco,
  • Professora Maria Angélica Fernandes,
  • Professor Silvio Serrano Nunes,
  • Fernando Pereira,
  • Lais Lindgren,
  • Lidiana de Almeida,
  • Maria Clara de Aragão e
  • Equipe do Círculo de Leituras do Laboratório Diplomático da USP

Carga Horária: 02h

Data: 13/06

Horário: 10h30 às 12h30

Dia da semana: sábado

Modalidade: online

Público-alvo: todos os cidadãos, especialmente estudantes, que demonstrem interesse por história, história diplomática, história da política externa, pela carreira diplomática e pelo estudo de política internacional, sem a exigência de formação acadêmica específica ou de envolvimento pretérito em atividades profissionais voltadas à diplomacia, mediante inscrição.
 

Eixos temáticos:

  • Inovação e tecnologia
  • Políticas públicas
  • Direitos humanos
  • Redução das desigualdades sociais
  • Cultura
  • Administração pública
  • Interno e social
  • Direito público

 

Fazer inscrição

 

Objetivos de aprendizagem

O Círculo de Leituras é uma das atividades propostas pelo LaD em conjunto com a EGC e terá como objeto de estudo a obra Teerã, Ramalá e Doha. Memórias da Política Externa Ativa e Altiva, de Celso Amorim, referência fundamental para a compreensão da política externa brasileira contemporânea.

A atividade visa oferecer e discutir com os participantes um panorama aprofundado da atuação internacional do Brasil no início do século XXI, com ênfase na condução da política externa durante o período em que Celso Amorim esteve à frente do Ministério das Relações Exteriores. A partir de seu testemunho direto como formulador e executor da política externa, pretende-se desenvolver entre os membros competências de análise crítica sobre a inserção internacional do Brasil, especialmente no contexto do chamado paradigma da “política externa ativa e altiva”.

Espera-se que os participantes sejam capazes de compreender os principais eixos da atuação diplomática brasileira no período, incluindo a intensificação das relações Sul-Sul, a atuação em fóruns multilaterais, a mediação de conflitos internacionais e a participação em negociações comerciais estratégicas, como a Rodada de Doha. Pretende-se, ainda, que os participantes consigam identificar os instrumentos, limites e possibilidades da ação diplomática brasileira em contextos de alta complexidade política.

Ao longo das atividades, os membros deverão desenvolver a capacidade de relacionar a política externa com o contexto político interno, reconhecendo como decisões domésticas influenciam a atuação internacional do país e vice-versa. Busca-se também estimular a compreensão das estratégias de negociação diplomática, dos processos decisórios no âmbito do Itamaraty e do papel do Brasil como ator relevante no sistema internacional.

Ao final do ciclo, espera-se que os participantes sejam capazes de analisar criticamente a política externa brasileira contemporânea, identificar continuidades e mudanças em relação a períodos anteriores e compreender o papel da diplomacia na projeção internacional do Brasil, especialmente no que se refere à construção de sua autonomia e protagonismo no cenário global.

 

Competências a serem desenvolvidas

Ao final da atividade, os membros deverão ser capazes de:

  1. contextualizar os principais eventos da Política Externa Brasileira no início do século XXI, especialmente no período de formulação da política externa “ativa e altiva”;
  2. interpretar criticamente as narrativas de Celso Amorim sobre negociações diplomáticas, mediação de conflitos e atuação do Brasil em fóruns multilaterais;
  3. analisar o papel do Brasil como ator internacional, com ênfase nas relações Sul-Sul, na diplomacia presidencial e na busca por maior autonomia no sistema internacional.

O participante que ler integralmente a obra Teerã, Ramalá e Doha. Memórias da Política Externa Ativa e Altiva poderá compreender como a diplomacia brasileira atuou de forma estratégica em temas centrais da agenda internacional contemporânea, como segurança internacional, comércio global e relações com o Oriente Médio.

Por meio da leitura, será possível identificar o protagonismo brasileiro em iniciativas como a mediação de conflitos, a construção de coalizões internacionais (como o G-20 comercial) e a atuação em negociações multilaterais complexas, percebendo os limites e possibilidades da ação diplomática em contextos de alta sensibilidade política.

Em específico para o período abordado, o participante deverá desenvolver a capacidade de integrar a política externa aos fatores políticos, econômicos e estratégicos que a condicionam, compreendendo a interdependência entre política interna e inserção internacional do Brasil. Espera-se também que o aluno seja capaz de identificar os elementos que contribuíram para a construção da imagem internacional do Brasil como ator relevante, negociador e defensor do multilateralismo.

Adicionalmente, busca-se desenvolver uma visão prática das negociações internacionais, compreendendo estratégias diplomáticas, processos decisórios no âmbito do Itamaraty e dinâmicas de organismos multilaterais. O participante deverá ser capaz de analisar criticamente interesses, motivações e implicações das decisões diplomáticas, reconhecendo nuances e disputas presentes no sistema internacional.

Estimula-se também o desenvolvimento de habilidades discursivas formais, coerentes com o padrão de comunicação diplomática e acadêmica, bem como a capacidade de argumentação fundamentada em evidências e leitura crítica de fontes primárias.

Por fim, espera-se fomentar a construção de uma comunidade de aprendizagem colaborativa, voltada à troca de conhecimentos e experiências entre os participantes, fortalecendo competências essenciais para atuação em carreiras diplomáticas, acadêmicas e no campo das relações internacionais.

Justificativa

A política externa brasileira constitui dimensão fundamental da atuação do Estado e deve ser compreendida em sua prática concreta para o aprimoramento da formação de estudantes e profissionais interessados na atuação pública e internacional. Nesse sentido, a análise da diplomacia contemporânea permite não apenas o entendimento de diretrizes institucionais, mas também das estratégias, limites e possibilidades da inserção do Brasil no cenário global.

Apesar de sua relevância, a atividade diplomática ainda é frequentemente percebida de forma distante ou pouco acessível, cercada por visões abstratas que dificultam a compreensão de seu funcionamento prático. Soma-se a isso o fato de que, nos cursos de graduação, o estudo das relações internacionais e da política externa brasileira, muitas vezes, permanece dissociado da experiência concreta de formulação e execução dessas políticas.

Diante desse cenário, o LaD propõe a leitura da obra de Celso Amorim como instrumento privilegiado para aproximar os participantes da prática diplomática. Por meio de seu testemunho direto enquanto Ministro das Relações Exteriores, o autor apresenta uma perspectiva interna dos processos decisórios, das negociações internacionais e dos desafios enfrentados pelo Brasil em temas centrais da agenda global, como segurança internacional, comércio e relações Sul-Sul.

A obra permite compreender, de forma aplicada, o paradigma da política externa “ativa e altiva”, evidenciando o esforço brasileiro de ampliação de autonomia e protagonismo no sistema internacional. Além disso, contribui para a análise das interações entre política interna e política externa, especialmente em um contexto de transformações geopolíticas e reconfiguração das dinâmicas multilaterais.

A escolha da obra justifica-se, ainda, por seu caráter testemunhal, que possibilita aos participantes o contato direto com a experiência de um dos principais formuladores da política externa brasileira recente. Tal abordagem favorece não apenas a compreensão teórica, mas também o desenvolvimento de uma visão crítica e prática sobre a atuação diplomática.

Por fim, a atividade busca suprir a lacuna existente entre teoria e prática, promovendo um espaço de formação, debate e troca de experiências que contribua para a qualificação dos participantes e para o fortalecimento do interesse pelas carreiras internacionais e pela compreensão da inserção do Brasil no mundo contemporâneo.


Metodologias:

  • Estudos de caso     
  • Debates (indagação)
  • Microaprendizagem (microlearning)
  • Sala de aula invertida 
  • Visitas técnicas

A atividade será estruturada em 7 encontros semanais síncronos, realizados em ambiente virtual (via plataforma online), com duração de aproximadamente 2 horas cada, além de atividades preparatórias consistentes em leitura prévia, estimadas em 2 a 3 horas por encontro.

O primeiro encontro, previsto para 09 de maio de 2026, será dedicado à abertura do ciclo, com apresentação geral da obra, contextualização histórica da política externa brasileira no período abordado e introdução aos principais conceitos e eixos temáticos.

Em cada encontro, será realizada uma apresentação inicial por convidado externo (docente, diplomata ou pesquisador), com o objetivo de contextualizar os temas abordados na leitura e aproximar os participantes da prática diplomática contemporânea.

A metodologia prioriza práticas colaborativas de aprendizagem. Cada encontro contará com a atuação de um mediador e de uma dupla de participantes previamente designada, responsável por conduzir a exposição do conteúdo lido, destacando os principais argumentos do autor, conceitos-chave e problemáticas relevantes.

Após a exposição inicial, a dupla de expositores apresentará questões orientadoras, estimulando o debate entre os participantes. Em seguida, será realizado um debate mediado, com participação ativa de todo o grupo, promovendo a troca de perspectivas e o aprofundamento crítico dos temas.

Os participantes deverão realizar a leitura prévia dos trechos indicados e, durante os encontros, desenvolver análises fundamentadas, relacionando o conteúdo da obra com o contexto político, histórico e institucional da política externa brasileira.

A metodologia também contempla a discussão de casos práticos de negociações internacionais, conforme relatados na obra, permitindo aos participantes compreender, de forma aplicada, os processos decisórios, estratégias diplomáticas e dinâmicas multilaterais.

Essa abordagem busca estimular o protagonismo dos participantes, promover a construção coletiva do conhecimento e aproximar teoria e prática, alinhando-se à proposta de circulação de obras clássicas e contemporâneas relevantes para a formação em relações internacionais.

Por fim, a participação nos debates, nas exposições e, quando aplicável, a elaboração de registros reflexivos ou sínteses das discussões poderão ser utilizados como instrumentos de acompanhamento e avaliação, conforme diretrizes da Escola Superior de Gestão e Contas.
 

Conteúdo Programático

Leitura da obra:

AMORIM, Celso. Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva. São Paulo: Benvirá, 2015

Trechos abordados:

Parte I | A Declaração de Teerã: oportunidade perdida? (p. 13–104)

Parte II | O Brasil e o Oriente Médio (p. 105–124)

Aborda o contexto do programa nuclear iraniano e os limites do multilateralismo. Analisa a inserção do Brasil como mediador por meio da política externa ativa e altiva. Examina a construção da negociação diplomática, incluindo a cooperação Brasil–Turquia e os principais atores envolvidos. Discute o conteúdo e a relevância da Declaração de Teerã. Por fim, avalia sua rejeição pelas grandes potências, seus desdobramentos e os limites do protagonismo brasileiro no sistema internacional.
 

Encontro 5 (13/06/2026)

Leitura obrigatória:

Páginas 69 a 88

Tema: Operação diplomática e atores envolvidos

Tópicos para discussão:

Cooperação Sul-Sul (Brasil–Turquia)

Principais atores internacionais (Irã, EUA, Europa, AIEA)

Interesses e assimetrias de poder

Papel dos indivíduos na diplomacia
 

Parcerias e Meios de Implementação

Encontros realizados na modalidade online para discussão dos tópicos.
Acadêmicos e Diplomatas estudaram ou atuaram no período.
 

Avaliação

Formativa:
Busca identificar o progresso da aprendizagem dos participantes ao longo do ciclo, por meio do acompanhamento contínuo das discussões, da capacidade de análise crítica dos episódios abordados na obra e da articulação entre teoria e prática diplomática. Considera-se especialmente a evolução na compreensão dos processos de negociação internacional e da política externa brasileira contemporânea

Avaliação dialógica e participativa:
Baseada na presença, engajamento e qualidade das intervenções nos debates. Será valorizada a capacidade de dialogar com os argumentos de Celso Amorim, formular questões relevantes, relacionar o conteúdo com conceitos de Relações Internacionais e contribuir para a construção coletiva do conhecimento.

 

Bibliografia Básica

AMORIM, Celso. Teerã, Ramalá e Doha: memórias da política externa ativa e altiva. São Paulo: Benvirá, 2015.

CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. História da política exterior do Brasil. 4. ed. Brasília: Editora UnB, 2012.

FONSECA JR., Gelson. A legitimidade e outras questões internacionais: poder e ética entre as nações. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2004.


Bibliografia Complementar

ALMEIDA, Paulo Roberto de. Política externa brasileira: fundamentos e perspectivas. São Paulo: Saraiva, 2012.

KISSINGER, Henry. Diplomacy. New York: Simon & Schuster, 1994.

SPEKTOR, Matias. 18 dias: quando Lula e FHC se uniram para conquistar o apoio de Bush. Rio de Janeiro: Objetiva, 2014.

STUENKEL, Oliver. The BRICS and the future of global order. Lanham: Lexington Books, 2015.

BRASIL. Ministério das Relações Exteriores. Portal do Itamaraty. Disponível em: https://www.gov.br/mre. Acesso em: 09 abr. 2026.

AGÊNCIA INTERNACIONAL DE ENERGIA ATÔMICA (AIEA). Official documents and reports. Disponível em: https://www.iaea.org. Acesso em: 09 abr. 2026.

 

Apoio Institucional
aboratório Diplomático da USP (LaD)

Apresentação dos Proponentes
O Laboratório Diplomático da USP (LaD) é uma atividade extensionista curricularizada (AEX) na Comissão de Cultura e Extensão (CCEX) da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. O LaD é um grupo criado por estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (FDUSP), com a participação de membros e externos e é coordenado pelo professor titular de Direito Internacional Privado da FDUSP, Gustavo Ferraz de Campos Monaco. Entre algumas das iniciativas já realizadas pelo LaD estão a primeira edição do Círculo de Leituras em 2025, em que discutimos A Diplomacia na Construção do Brasil, do Embaixador Rubens Ricupero, o minicurso “Diplomacia: Teoria e Prática”, ministrado pelo Professor e Embaixador Fernando de Mello Barreto, e o simpósio “100 dias de Governo Trump”, que contou com convidados como Filipe Nobre Figueiredo, Guilherme Casarões, Jacques Marcovitch, Roberto Borghi e Carlos Portugal Gouvêa, dentre outras atividades.


Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) relacionados ao curso:


SIGA O CANAL DA "ESCOLA SUPERIOR DE GESTÃO E CONTAS PÚBLICAS" NO WHATSAPP E FIQUE POR DENTRO DOS PRÓXIMOS CURSOS, PALESTRAS E EVENTOS.